O Mundo da Moda

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Recentemente, li um artigo que mostrava de que forma o mundo da moda pode ser um aliado e um vilão. Achei importante levantar essa questão aqui no blog já que a moda é uma indústria que toma cada vez mais proporções catastróficas.

Esse mercado bilionário é o segundo maior contribuidor para o aquecimento global sendo responsável por 10% de emissões de carbono, ela só perde para a indústria de óleo e gás.

Muito se fala sobre o trabalho escravo que é uma realidade na vida de famílias que vivem em lugares muito pobres, como no Camboja. No entanto, esse tipo de trabalho feito em condições precárias acaba por ser o único meio de subsistência dessas pessoas. Muitos não querem que acabe, mesmo sofrendo com o ganha-pão deles.

A dura realidade desses trabalhadores está mudando aos poucos com a ajuda de iniciativas que querem encontrar formas de exigir dos donos dessas grandes empresas dêem condições melhores de trabalho, assim como um salário maior para esses operários.

Mas o trabalho escravo não é o único problema. Estima-se que sejam gastos 1.300 litros de água só para fazer uma blusa. Imaginem o quanto uma fábrica inteira não gasta por dia. E não pára por aí. Leve em consideração também o gasto de água para o cultivo da matéria prima desses produtos. O algodão, por exemplo, gasta muito mais água e utiliza muito mais pesticidas do que a fibra de urtiga, que é um isolante térmico natural e não é atacada por muitas pragas.

Outro exemplo que vale a pena ser citado é o material polietileno que vocês já leram sobre aqui. Ele libera milhares de micropartículas que direto para os oceanos a cada lavagem que fazemos.

Muitas comunidades pobres em países como a Índia e Indonésia estão sofrendo porque indústrias têxteis estão acabando com fontes de pesca, como o Mar Aral que fica na Ásia Central. Ele está secando pouco a pouco por causa da utilização das fábricas. Isso sem contar na quantidade de poluição em outras bacias ao redor das fábricas, que acabam por deixar a população local doente e com doenças que não podem ser tratadas justamente por causa da baixa renda dessas famílias.

Isso deixa de ser apenas um problema social e ambiental e se torna um problema de todos. A quantidade de água existente hoje já não pode se revitalizar porque não damos o tempo devido para que ela se renove. Isso se dá pelo grande contingente populacional no mundo.

Já existem marcas de roupas que se preocupam em ser mais humanizadas e reduzir  seus impactos ambientais. Embora as intenções sejam ótimas, ainda assim estamos reduzindo ao invés de reduzir. Acho muito legais as propostas de lojas como Huge, Ada e Myneral, que apostam no modelo de upcycling que é um movimento muito importante rumo a um mundo #100lixo.

Brechós ainda são opção também quando você busca roupas novas por um custo menor. Antigamente era muito comum ver moças comprando roupas usadas em lojas que eram chamadas de boutiques e tinham ares mais glamurosos. Podemos voltar a ter esse tipo de cultura para gerar menos lixo, rendas para esses vendedores e gastar menos água. Nesse momento, essas são as opções de menos impacto.

Deixe sua opinião nos comentários e poste suas fotos #100lixo no Instagram.

Fontes: +Alma, Forbes

Imagem: Google

Balanço do Mês de Março

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Nos últimos meses eu venho atualizando vocês em relação às minhas metas de até o fim do ano conseguir produzir zero de lixo ou implementar ideias pra que eu chegue bem perto disso.

Desde que eu comecei a realizar alternativas no meu dia-a-dia, eu tenho notado algumas dificuldades. A maior delas vem do preconceito das pessoas. Em uma das minhas tentativas de pedir um copo de vidro que era usado no estabelecimento apenas para água, fui tratada como se fosse uma criança. Quando perguntei à garçonete se ela podia trazer meu milkshake no copo de vidro ela prontamente disse: “nossa empresa trabalha de forma padronizada e não podemos colocar o milkshake no copo de vidro. Mas não se preocupe [com um sorriso irônico], vamos reutilizar o seu copo, fofa.”

Em outras situações ainda sou tachada de louca porque “é impossível viver sem plástico”. Mas mesmo essas barreiras preconceituosas não deixam eu me desanimar.

Nesse mês tive outros tipos de empecilhos. Tive treinamentos, trabalhos da faculdade, além do meu próprio trabalho diário. Com a falta de tempo a gente começa a entender a importância de desacelerar e planejar a nossa forma de produzir menos lixo.

Eu não costumo ter grandes problemas em relação a compra de bens de consumo como roupas, cosméticos e etc. Mas tenho uma grande fraqueza por comida. Na correria eu acabei por esquecer minha comida em casa, as frutas que sempre como, por exemplo. Com isso, tive que apelar para a padaria. Tamanha foi a minha surpresa quando cheguei lá e descobri que NADA vem sem embalagens. A única coisa que vem sem embalagem é o pão na chapa que eu nunca como. Até a canjica, que é feita por eles, vem numa embalagem de isopor que depois será descartada.

Então vocês já podem imaginar que eu acabei produzindo uma quantidade considerável de lixo, mas aviso logo que a minha lista não está completa:

  • 3 pacotes pequenos de balas de leite
  • um pacote de chiclete
  • 3 cartelas de remédios
  • muitas notas fiscais
  • 2 pacotes de biscoito
  • 2 sacolas de plástico
  • 3 embrulhos de bombom que ganhei de presente
  • 2 quentinhas de isopor
  • 2 pacotes de chocolate

Continuarei levando comida de casa sempre que necessário, mas dessa vez vou planejar melhor meus lanches para que eu não repita frutas nem me sinta tentada a comprar coisas embaladas.

Em Abril vou guardar todas as embalagens que eu comprar, além de notas fiscais que iriam para o lixo pra fazermos juntos uma análise do que devo melhorar. Enquanto isso vamos postar com a hashtag #100lixo para mostrar alternativas melhores ao longo do mês.

Quais as suas formas de produzir menos lixo? Conte nos comentários!