Rock in Rio e por quê a pressão do consumidor importa

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Ontem foi o último dia de Rio in Rio completando sete dias de festival. Eu pude ir no dia 23 e aproveitei pra colocar em prática meus hábitos mais conscientes. Percebi algumas coisas que achei relevante citar por aqui.

O Rock in Rio é um evento gigantesco e reconhecido no mundo inteiro; tanto que ele move milhares de pessoas não só do Brasil como de outros países a verem shows de música variada, dentre outras atrações. Esse ano, notei uma variedade maior de atrações a parte, como shows de humor e a inauguração da arena da Game XP que, é quase um evento por si só.

Além dessas atrações, eles tiveram a ideia de incluir comida vegana no festival e é claro que eu fui conferir. Uma das coisas que mais gera lixo hoje em dia é a comida. Infelizmente nós (eu me incluo também) desperdiçamos muita comida por N fatores que serão vistos em outros posts aqui no blog. Mas, na noite do dia 23 pude ver o quanto a nossa pressão como consumidores leva a despertar nos outros uma consciência maior em relação ao que eles costumam fazer automaticamente.

O restaurante que já namoro há alguns anos e que estava lá é o Açougue Vegano. Eles tem uma variedade boa de espetinhos, além de salgadinhos como coxinha e um hambúrguer que é simplesmente incrível. Orgias gastronômicas à parte quando cheguei lá perguntei se ele podia me servir no meu guardanapo de pano. O atendente fez o pedido a cozinha que retornou meu guardanapo dizendo que a vigilância não permitia que eles fizessem isso. Eu retruquei dizendo que o guardanapo estava devidamente higienizado e que o hambúrguer já estava pronto, era só colocar o sanduíche no pano.

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Sim, esse é meu hambúrguer Volcano maravilhoso no guardanapo de pano

Embora eu não ache a atitude totalmente legal, fiz cara feia porque ele me deu uma desculpa ridícula. Vendo a minha cara ele conversou com a cozinheira novamente e ela finalmente aceitou e embrulhou meu hambúrguer. Desejo realizado e meta de não produzir lixo alcançada.

Em relação aos líquidos, no entanto, a coisa é mais embaixo. As opções deles são refrigerante, cerveja, suco ou mate. Vale ressaltar que todos eles vem em latas ou em copos de plástico, mas a cerveja podia ser conseguida diretamente com pessoas que estavam enchendo os copos em campo aberto. Como não bebo refrigerante, nem cerveja e não queria gerar lixo nenhum, optei por procurar sempre pelos bebedouros. Tinha 3 postos de bebedouros no evento, apenas.

A cerveja é uma história a parte. O grande patrocinador do evento é a Heineken. Logo, todo lado que você olha alguém vende essa cerveja. Uma coisa que me irrita profundamente é a quantidade de contrariedade por parte do Rock in Rio fazer discursos e campanhas pra salvar a Amazônia, Deus e o mundo e aceitar o que a Heiniken estava propondo.

A proposta da Heineken no evento era de “arrecadar” uma determinada quantidade de copos descartáveis por pessoa para trocar por um prêmio, que eu estou me lixando pra qual era. Eles tinham postos onde estava escrito “Rock & Recycle” de onde seriam tirados os copos utilizados no evento para reciclar. É obvio que eles não reciclam. Sabemos que empresas grandes só se preocupam em mostrar uma cara que não é verdadeira. E mesmo se reciclassem, ainda estariam gerando lixo, porque como vocês viram no meu post sobre os tipos de plástico não é todo plástico que é reciclado e também há uma quantidade de vezes que esse plástico pode ser reciclado, depois disso ele se deteriora de uma forma que não dá mais pra fazer nada com ele. Além disso, reciclagem gasta muita água e plástico, em sua grande maioria, solta substâncias que agridem o meio ambiente. Então não seria mais inteligente que eles, pelo menos, tentassem vender a cerveja num copo que fosse livre de BPA e reutilizável? Agregando a isso, eles poderiam dar um desconto pra quem levasse o copo, por exemplo.

Infelizmente para empresas megalomaníacas esse tipo de iniciativa não é viável financeiramente porque não dá os bilhões de retorno que ela quer no bolso. De que adianta ter dinheiro se não puder usufruir porque o mundo está se acabando? O meu apelo para os consumidores é que encham sim o saco das empresas e não desanimem se olharem pra sua cara e não aceitarem. Se não aceitarem seu pedido do guardanapo ou do copo retornável, diga que vai pra outro lugar onde utilizem-o. Exijam transparência, exijam que elas demonstrem que realmente estão fazendo mudanças. Eu não acredito na reciclagem da Heineken, mas se eles estão fazendo eu quero ver, na minha frente.

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O Mundo da Moda

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Recentemente, li um artigo que mostrava de que forma o mundo da moda pode ser um aliado e um vilão. Achei importante levantar essa questão aqui no blog já que a moda é uma indústria que toma cada vez mais proporções catastróficas.

Esse mercado bilionário é o segundo maior contribuidor para o aquecimento global sendo responsável por 10% de emissões de carbono, ela só perde para a indústria de óleo e gás.

Muito se fala sobre o trabalho escravo que é uma realidade na vida de famílias que vivem em lugares muito pobres, como no Camboja. No entanto, esse tipo de trabalho feito em condições precárias acaba por ser o único meio de subsistência dessas pessoas. Muitos não querem que acabe, mesmo sofrendo com o ganha-pão deles.

A dura realidade desses trabalhadores está mudando aos poucos com a ajuda de iniciativas que querem encontrar formas de exigir dos donos dessas grandes empresas dêem condições melhores de trabalho, assim como um salário maior para esses operários.

Mas o trabalho escravo não é o único problema. Estima-se que sejam gastos 1.300 litros de água só para fazer uma blusa. Imaginem o quanto uma fábrica inteira não gasta por dia. E não pára por aí. Leve em consideração também o gasto de água para o cultivo da matéria prima desses produtos. O algodão, por exemplo, gasta muito mais água e utiliza muito mais pesticidas do que a fibra de urtiga, que é um isolante térmico natural e não é atacada por muitas pragas.

Outro exemplo que vale a pena ser citado é o material polietileno que vocês já leram sobre aqui. Ele libera milhares de micropartículas que direto para os oceanos a cada lavagem que fazemos.

Muitas comunidades pobres em países como a Índia e Indonésia estão sofrendo porque indústrias têxteis estão acabando com fontes de pesca, como o Mar Aral que fica na Ásia Central. Ele está secando pouco a pouco por causa da utilização das fábricas. Isso sem contar na quantidade de poluição em outras bacias ao redor das fábricas, que acabam por deixar a população local doente e com doenças que não podem ser tratadas justamente por causa da baixa renda dessas famílias.

Isso deixa de ser apenas um problema social e ambiental e se torna um problema de todos. A quantidade de água existente hoje já não pode se revitalizar porque não damos o tempo devido para que ela se renove. Isso se dá pelo grande contingente populacional no mundo.

Já existem marcas de roupas que se preocupam em ser mais humanizadas e reduzir  seus impactos ambientais. Embora as intenções sejam ótimas, ainda assim estamos reduzindo ao invés de reduzir. Acho muito legais as propostas de lojas como Huge, Ada e Myneral, que apostam no modelo de upcycling que é um movimento muito importante rumo a um mundo #100lixo.

Brechós ainda são opção também quando você busca roupas novas por um custo menor. Antigamente era muito comum ver moças comprando roupas usadas em lojas que eram chamadas de boutiques e tinham ares mais glamurosos. Podemos voltar a ter esse tipo de cultura para gerar menos lixo, rendas para esses vendedores e gastar menos água. Nesse momento, essas são as opções de menos impacto.

Deixe sua opinião nos comentários e poste suas fotos #100lixo no Instagram.

Fontes: +Alma, Forbes

Imagem: Google

Balanço do Mês de Março

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Nos últimos meses eu venho atualizando vocês em relação às minhas metas de até o fim do ano conseguir produzir zero de lixo ou implementar ideias pra que eu chegue bem perto disso.

Desde que eu comecei a realizar alternativas no meu dia-a-dia, eu tenho notado algumas dificuldades. A maior delas vem do preconceito das pessoas. Em uma das minhas tentativas de pedir um copo de vidro que era usado no estabelecimento apenas para água, fui tratada como se fosse uma criança. Quando perguntei à garçonete se ela podia trazer meu milkshake no copo de vidro ela prontamente disse: “nossa empresa trabalha de forma padronizada e não podemos colocar o milkshake no copo de vidro. Mas não se preocupe [com um sorriso irônico], vamos reutilizar o seu copo, fofa.”

Em outras situações ainda sou tachada de louca porque “é impossível viver sem plástico”. Mas mesmo essas barreiras preconceituosas não deixam eu me desanimar.

Nesse mês tive outros tipos de empecilhos. Tive treinamentos, trabalhos da faculdade, além do meu próprio trabalho diário. Com a falta de tempo a gente começa a entender a importância de desacelerar e planejar a nossa forma de produzir menos lixo.

Eu não costumo ter grandes problemas em relação a compra de bens de consumo como roupas, cosméticos e etc. Mas tenho uma grande fraqueza por comida. Na correria eu acabei por esquecer minha comida em casa, as frutas que sempre como, por exemplo. Com isso, tive que apelar para a padaria. Tamanha foi a minha surpresa quando cheguei lá e descobri que NADA vem sem embalagens. A única coisa que vem sem embalagem é o pão na chapa que eu nunca como. Até a canjica, que é feita por eles, vem numa embalagem de isopor que depois será descartada.

Então vocês já podem imaginar que eu acabei produzindo uma quantidade considerável de lixo, mas aviso logo que a minha lista não está completa:

  • 3 pacotes pequenos de balas de leite
  • um pacote de chiclete
  • 3 cartelas de remédios
  • muitas notas fiscais
  • 2 pacotes de biscoito
  • 2 sacolas de plástico
  • 3 embrulhos de bombom que ganhei de presente
  • 2 quentinhas de isopor
  • 2 pacotes de chocolate

Continuarei levando comida de casa sempre que necessário, mas dessa vez vou planejar melhor meus lanches para que eu não repita frutas nem me sinta tentada a comprar coisas embaladas.

Em Abril vou guardar todas as embalagens que eu comprar, além de notas fiscais que iriam para o lixo pra fazermos juntos uma análise do que devo melhorar. Enquanto isso vamos postar com a hashtag #100lixo para mostrar alternativas melhores ao longo do mês.

Quais as suas formas de produzir menos lixo? Conte nos comentários!